nossa cor
de raiz incolor,
marca apagada
pela lajota espatifada,
mas viva no azulejo alaranjado
que permanece quadriculado na avenida,
e salve a mancha amarelada na escrivaninha,
nosso vermelho reside ainda em todos os rostos,
incandescente em todas as vielas ao redor da taberna,
nossa cor mora nos rostos de todos os garotos marotos, singelos,
mas se essa nossa cor, a única que não rima com dor, devaneia-se pelo cheiro do odor,
seríamos poloneses suplicando por perfumes franceses, porque nosso cheiro é forte, nosso braço também, somos "bordados de flor", gerados no calor, calor que não se mede, só se repete, só se acomete,
assim como um favor que não se pede, não se pergunta a origem de uma cor que derrete,
nem da procedência de um fedor, somos já feitos assim, gerados com data de fim,
com grau de pureza, com substratos suficientes pra federmos o quanto precisar,
federemos
até
a morte.

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