No gingado das vozes acalenta o peito sofrido,
todos aqueles pobres descalços,
homens sem ternos que trazem ternura pra roda do enfermos.
Rodam e rodopiam, roupas brancas no varal, um banco na porta do quintal,
cadeiras de madeira enegrecida comportam o cansaço,
cadarços na garganta de todos, mas ainda assim o coro não morre,
rouco, fosco, estremecido, a voz do pedreiro, do padeiro, do pandeiro.
Não permitem padecer a cadência no peito do companheiro.
É bonito, é bonito, repetem juntos.
É samba, é samba, todos já sabem.
Do mulato, do violão de Cartola, o pai abençoa, a mãe cantarola.
O gago não morre, o disco não risca, a voz é eterna da dor sofrida,
mas antes mesmo de ser amor, foi samba, enquanto a cor não dança,
os meninos estão na porta preparando o próximo samba.

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