domingo, março 17, 2013

Reze, Ele é Homem Louco por Uma Mulher.

Se não fosse por motivos claros, ela teria olhos escuros, e se não fosse por motivos obscuros, ela nunca pareceria um anjo. Uma mulher serpente, um atraso amoroso na via de qualquer um. Uma serpentina caia no céu e seu arraial estava acarretando no local. Ela, em suas frestas, guardava o odor paradisíaco de uma sereia, que ao cantar, não somente encantava, mas acumulava devotos pelas travessas. Era escrava de efêmeros amores, todos falsos, encantados, adormecidos ao fim da orquestra. Uma mulher pela qual o mundo girava, pela qual as trombetas ressoavam e as esculturas de Sistina se entreolhavam, dedos se tocavam, pálidos ficavam os homens, outras mulheres caiam, desmoronavam, padeciam ao pranto, era mágico e perverso. Logo todos poderiam acompanhá-la, o pecado do mundo, o fim de tudo, a gigantesca multidão. Ela representaria o início da vida aos bêbados que a ela se rendiam, o fim da vida aos poetas surrealistas, a desmoralização da exaltação ao abstracionismo. Ela seria o encontro dos mares, deusa, a afluente de um rio, a marginalização dos corações fieis, a locomoção das novenas, a teoria do caos. Dentro de uma mulher, só poderia morar todas a beleza do mundo. A mulher criou o homem, antes dele se criar, antes de Deus nascer, antes de findar mundo, a mulher já seria feita beleza prodigiosa, metafísica dos sonhos inexistentes, incompreensível ser. A mulher.

Mulher, Sempre Mulher.

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Belém, Pará, Brazil
Fui aparelhado para gostar de pássaros.